Malware transforma PCs Windows comprometidos em ativos negociáveis para ataques futuros.
O BraZetsu é um malware brasileiro escrito em Python e atribuído ao grupo Exilware. Ele mira PCs com Microsoft Windows, usa IA generativa para estimar quanto vale a máquina invadida e anuncia esse acesso no chamado Infected Marketplace. O alvo é Brasil e América Latina, com atenção especial a arquivos CNAB, certificados digitais, ERPs e chaves de Pix.
O BraZetsu é um framework modular em Python atribuído ao grupo Exilware. Depois de comprometer um computador com Microsoft Windows, ele não parte direto para o ataque: inventaria o que existe ali, atribui um valor àquele acesso e o coloca à venda. Quem compra é outro criminoso, que decide o que fazer com a porta já aberta.
A Group-IB divulgou o caso no início de setembro de 2026 e apontou cinco versões do malware desde fevereiro. Esse ritmo de atualização mostra um projeto em desenvolvimento ativo, não uma campanha isolada, e explica por que o assunto deve seguir quente nos próximos 10 a 15 dias.
O ponto que diferencia o BraZetsu é a triagem automatizada. Em vez de tratar todas as máquinas infectadas da mesma forma, o malware procura indícios de que aquele computador circula dinheiro ou dados corporativos relevantes.
Entre os itens citados estão arquivos CNAB, certificados digitais, sistemas ERP e informações ligadas ao Pix. Uma estação do setor financeiro, que movimenta pagamentos em Itau, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil, Caixa Economica Federal ou Nubank, vale muito mais para o comprador do que um PC de uso geral. É o mesmo raciocínio de um comprador avaliando estoque.
Concluída a avaliação, o acesso vai para o Infected Marketplace, mercado clandestino de máquinas infectadas. O custo de entrada informado, cerca de US$ 5,80, derruba a barreira para fraudadores menores e amplia a chance de exploração secundária.
Malware desse tipo raramente derruba o computador ou exibe mensagens. O que costuma aparecer são desvios discretos de comportamento, sobretudo em estações usadas por áreas financeiras e administrativas. Vale tratar cada item abaixo como gatilho de investigação, não como curiosidade.
A estratégia mais eficaz é simples de enunciar: fazer com que a máquina valha pouco para quem a avalia. Isso passa por restringir o que fica acessível em cada estação, controlar quem entra nos sistemas críticos e detectar movimentação anormal antes que o acesso seja anunciado. Vazamento de dado pessoal nesse contexto também aciona as obrigações da LGPD.
O foco descrito está em PCs com Microsoft Windows e em alvos no Brasil e na América Latina, com interesse especial em ambientes corporativos e sistemas financeiros.
Arquivos CNAB fazem parte das rotinas de cobrança e pagamento das empresas. Quando aparecem em um computador comprometido, elevam o valor daquele acesso para quem compra no mercado clandestino.
Significa que o invasor transforma a máquina já infectada em produto. Outro criminoso compra esse acesso e tenta explorar dados, sistemas ou contas bancárias da empresa.
O BraZetsu mostra que proteger apenas a senha já não basta. A MFA2GO ajuda empresas a fortalecer acessos, reduzir o risco de abuso de credenciais e proteger contas ligadas a sistemas financeiros.
Conheca: Cofre Corporativo de MFA, Gestao de Acesso, Autenticacao Forte. mfa2go.com
Fontes:
Group-IB; Estadão/TecMundo; Broadcom; Cyber Security News, setembro de 2026