Credenciais antigas seguem ativas e podem abrir acesso amplo a ambientes corporativos na nuvem.
Um levantamento da Truffle Security encontrou milhares de chaves da AWS expostas e ainda utilizáveis. Na amostra verificada, 88% das credenciais completas continuavam funcionando. O maior risco está nas chaves root e de administradores, que entregam controle amplo sobre contas corporativas.
Pesquisadores da Truffle Security analisaram 431.875 vazamentos coletados em repositórios abertos de código, históricos de alteração de sistemas e plataformas de inteligência artificial. Depois de descartar as repetições, o material foi reduzido a 64.024 chaves AWS únicas, vinculadas a 50.654 contas. O volume por si só já indica um problema estrutural de gestão de credenciais.
Em uma checagem recente com 10.616 credenciais completas, 88% ainda permitiam acesso. São mais de 9,3 mil chaves ativas expostas publicamente. Entre elas, 768 pertenciam a ambientes corporativos e carregavam privilégios máximos de administração.
Uma chave de acesso AWS é, na prática, um par de credenciais que autentica comandos diretamente nos serviços da conta. Ela dispensa senha, tela de login e, na maioria dos casos, qualquer segundo fator. Quando aparece em um repositório público, em um commit antigo ou em um arquivo compartilhado, qualquer pessoa que a encontre pode testá-la em segundos.
O cenário mais grave envolve as credenciais root, o nível mais alto de acesso dentro da AWS. O levantamento identificou 526 chaves desse tipo entre as credenciais corporativas com poder irrestrito. Outras 242 pertenciam a perfis administrativos capazes de criar, modificar ou apagar serviços inteiros — incluindo backups e registros de auditoria.
O estudo também apontou 130 chaves mestras de contas centrais de gestão. Se uma conta desse nível for comprometida, o impacto não fica contido: ele se espalha para todas as contas secundárias do mesmo grupo empresarial.
Quem opera na AWS deve tratar o assunto como prioridade sempre que houver rastro de exposição ou ausência de manutenção nas chaves. Os sinais mais comuns aparecem antes do incidente:
Os números reforçam o alerta: a idade média das chaves ativas era de 1.831 dias, quase cinco anos. Cerca de 86% delas nunca passaram por renovação ou exclusão desde a criação, o que revela credenciais sem rotação e, frequentemente, sem responsável identificado.
O ponto de partida é localizar todas as chaves AWS em uso e separar as que pertencem a contas root, administradores e contas centrais de gestão. Feito isso, remova o que não tem justificativa de negócio e substitua credenciais permanentes por acessos temporários e controlados. Sem inventário, qualquer resposta vira tentativa e erro.
Vale verificar também se alguma chave escapou para locais públicos: repositórios de código, históricos de commits e ambientes usados com ferramentas de IA. Diante de qualquer suspeita, a sequência é desativar a chave, revisar as permissões associadas e investigar sinais de uso indevido nos registros da conta.
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Não há indicação de que todas as contas AWS tenham sido afetadas. O levantamento mostra que milhares de chaves específicas estavam expostas e ainda ativas, incluindo credenciais corporativas de alto privilégio.
Porque ela representa o nível máximo de acesso da conta AWS. Nas mãos erradas, permite controle amplo sobre serviços, dados e recursos da empresa, sem barreiras de permissão.
Uma chave antiga, isoladamente, não significa invasão. O que preocupa é o padrão revelado pelo estudo: muitas nunca foram renovadas nem removidas, o que multiplica o risco caso apareçam em algum local público.
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