Driver legítimo pode ser usado no boot para remover arquivos e registros críticos do Windows.
A Check Point Research mostrou como o BTR.sys, driver legítimo do Microsoft Defender, pode ser direcionado para executar operações profundas no Microsoft Windows durante a inicialização. A técnica não explora falha de software nem exige trazer um driver de fora da máquina. Até a publicação, os pesquisadores afirmam não ter visto uso real por criminosos.
A Check Point Research divulgou uma técnica que envolve o BTR.sys, conhecido como Boot Time Removal Tool, componente legítimo do Microsoft Defender. Ele existe para permitir que o Defender conclua remoções de malware depois de reiniciar o computador, quando arquivos ou chaves de registro estavam bloqueados durante o uso normal do Microsoft Windows.
O problema é que esse mesmo recurso pode ser direcionado para executar operações arbitrárias em nível muito profundo, atingindo arquivos e registros. O escopo citado vai do Microsoft Windows 7 ao Microsoft Windows 11 25H2. A pesquisa foi apresentada por Jiří Vinopal, da Check Point Research, na Black Hat USA 2026 e na DEF CON 34.
O BTR.sys entra em ação antes de o Microsoft Windows terminar de carregar. Esse instante é privilegiado: parte dos arquivos ainda não está em uso, o que permite ao Microsoft Defender finalizar limpezas impossíveis com o sistema em operação. Poder de escrita nesse estágio significa poder de apagar praticamente qualquer coisa.
Os pesquisadores analisaram o protocolo usado para enviar instruções ao driver. Segundo eles, os blocos de configuração são protegidos com RC4 e uma chave fixa de 256 bytes presente no próprio BTR.sys, que permaneceu idêntica em 18 versões de 64 bits verificadas desde o Microsoft Windows 7. A prova de conceito, batizada de BTR_CLI, localiza o MpEngine.dll nas atualizações de definição do Defender, extrai o BTR.sys embutido e monta uma transação que o driver aceita como legítima.
A fonte informa que não houve evidência de uso real dessa técnica em ataques. Ainda assim, dá para se preparar antes que alguém transforme a pesquisa em ferramenta ofensiva. Os pontos de atenção incluem:
Como o BTR.sys é um componente necessário do Microsoft Defender, a própria pesquisa alerta que bloqueá-lo por listas de drivers vulneráveis ou por WDAC pode quebrar o funcionamento do Defender. A resposta correta passa por controle de privilégios, visibilidade e investigação rápida, não por bloqueio automático.
Não. A pesquisa descreve o abuso de um componente legítimo. O material afirma que nenhuma falha de software foi explorada e que não há evidência de uso real em ataques até o momento.
A fonte indica que o BTR.sys é exigido pelo Microsoft Defender. Bloqueá-lo por lista de drivers ou WDAC pode prejudicar o próprio Defender, então a recomendação prática é monitorar e controlar o uso, sem bloqueio sem avaliação.
Ambientes corporativos com muitas estações Microsoft Windows, sobretudo onde há grande número de administradores locais ou pouca visibilidade sobre o que muda no boot, devem tratar o tema como prioridade de detecção.
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Fontes:
https://thehackernews.com/2026/08/microsoft-defenders-own-driver-can-be.html