Golpe usa código de dispositivo para continuar acessando contas mesmo após revogação de tokens.
GhostCode é um kit de phishing que abusa do fluxo de código de dispositivo do Microsoft Entra. Segundo a eSentire, a campanha combina engenharia social por email comercial, anexos HTML protegidos por senha e páginas falsas de portal de documentos. O risco central é a persistência: o acesso sobrevive à revogação dos tokens roubados.
GhostCode é o nome dado a um kit de phishing identificado pela Threat Response Unit da eSentire em campanha observada no fim de agosto de 2026. Nada de página falsa pedindo usuário e senha na abertura: o ataque investe em conversas comerciais de aparência rotineira para conquistar confiança. O alvo final é fazer a vítima aprovar um login por código de dispositivo no Microsoft Entra, entregando ao invasor um acesso que ele controla.
O detalhe que muda o jogo é a durabilidade desse acesso. Quando o dispositivo é inscrito no diretório, revogar os tokens roubados pode não encerrar o incidente, porque o registro do dispositivo e a sessão associada continuam servindo de porta de entrada até serem removidos de forma explícita no Azure AD.
A campanha começou com mensagens em tom corporativo impecável. Os operadores se passaram por equipes de compras de empresas legítimas, incluindo referência à BJ's Wholesale Club, e enviaram perguntas simples por formulários de contato do Salesforce. Quando o time comercial respondia, os criminosos introduziam uma etapa de assinatura de NDA e mandavam, via WeTransfer, um arquivo HTML protegido por senha.
Esse anexo se apresentava como um portal de compartilhamento no estilo FlipBook. Para atrasar a análise, o arquivo era inflado com conteúdo inútil e comentários embutidos no HTML, liberando o endereço final só depois que a senha era digitada. O redirecionamento ainda atravessava filtros antibot, Cloudflare Turnstile, checagens de localização e análise do navegador usado pela vítima.
A infraestrutura mostra planejamento de médio prazo. O domínio bjssourcing[.]com apareceu ligado a mais de 30 domínios parecidos, todos registrados recentemente e habilitados para email, porém sem nenhum site ativo no ar.
Alguns indícios aparecem antes de o contato virar incidente. Vale circular esta lista com quem atende cliente e fornecedor todos os dias:
Login por código de dispositivo merece o mesmo rigor aplicado a senhas e aprovações de MFA. Diante de qualquer suspeita, revogar tokens é só o primeiro passo: é preciso conferir dispositivos registrados, sessões ativas e aplicativos autorizados no Microsoft Entra, além dos consentimentos concedidos a aplicações do Microsoft 365.
Não. O diferencial descrito é o abuso do fluxo de código de dispositivo do Microsoft Entra, capaz de transformar uma aprovação de MFA em acesso persistente para o atacante.
Ajuda, mas raramente basta. Também é necessário revisar dispositivos inscritos, sessões e permissões ligadas à conta afetada no Azure AD.
Times de vendas, compras e atendimento comercial, já que a campanha nasce em contatos aparentemente legítimos por formulários e conversas de negócios.
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Fontes:
https://gbhackers.com/ghostcode-abuses-microsoft-entra/